A Região de Visconde de Mauá, em plena Serra da Mantiqueira (Área de Proteção Ambiental), conserva o seu quinhão de Mata Atlântica e cenários encantadores, que seduzem viajantes que por aqui circulam desde o início do século 19. São santuários ecológicos, nascentes de águas cristalinas, cachoeiras fantásticas, paisagens inesquecíveis, ar puro e muita, muita paz.
Dividida em dois estados e três municípios (Resende e Itatiaia, RJ, e Bocaina de Minas, MG), faz limite com o Parque Nacional de Itatiaia, o mais antigo do Brasil, criado em 1937, onde se encontra o Pico das Agulhas Negras (2.787m).
Tem também uma gente acolhedora, que mistura o mais genuíno provincianismo do interior brasileiro com um certo ar cosmopolita dos que já correram mundo e ancoraram nestas montanhas mágicas. Um lugar onde ainda se pode ouvir o barulho do rio, o canto dos pássaros, o mugir das vacas e o relinchar dos cavalos, o estalar da mata e o silêncio do entardecer.
Dos índios Puris ao turismo
Percorrer a Região de Visconde de Mauá é também viajar pela História do Brasil e visitar um dos mais centrais pólos de Ecoturismo do país, localizado entre Rio e São Paulo, e não muito distante de Belo Horizonte. Originalmente, foi habitada pelos índios Puris, que deram nome à Mantiqueira: 'lugar onde nascem as águas'.
No século 19, iniciou-se a atividade mineradora de ouro, envolvendo os rios Preto, Aiuruoca e outros próximos. Vieram então os portugueses e seus escravos. Começava a criação de gado e burros de carga para o transporte de minério, além da produção de leite.
Documentos obtidos pelo professor Alexandre Mendes da Rocha e recolhidos por pesquisadores da Região revelam que, no ano da Proclamação da República (1889), chegaram as primeiras famílias de colonos europeus - italianos e austríacos - às terras de Henrique Irineu de Souza, filho e herdeiro de Irineu Evangelista de Souza, o Visconde de Mauá.
Com o século 20, vieram suíços e alemães, para constituir uma colônia agrícola. As plantações não foram adiante, por uma série de fatores, e o governo acabou permitindo a comercialização das terras, vendidas a fazendeiros mineiros, que se dedicaram à produção de leite e seus derivados.
Os poucos imigrantes que aqui permaneceram deram início à atividade turística, alugando quartos em suas residências. Nos primeiros tempos, os hóspedes do Rio ou de São Paulo desembarcavam do trem em Resende e subiam a Serra da Pedra Selada a cavalo ou em lombo de burros.
Natureza e conforto
Dos anos 50 em diante, surgiram pousadas, restaurantes e diversos pequenos negócios. Graças a isso, a Região de Visconde de Mauá passou a ser cada vez mais conhecida como um santuário ecológico, onde o turista encontra uma mistura perfeita de Natureza e Conforto.
A principal diferença entre o lugar que os primeiros forasteiros conheceram e Visconde de Mauá atual é a existência de hotéis, pousadas, restaurantes, lojas, eventos artísticos e esportivos freqüentados pelos mais exigentes consumidores dos grandes centros urbanos.
Mas a maior atração continua sendo mesmo a Natureza. Visconde de Mauá tem montanhas, vales, poços, cachoeiras, picos e trilhas, que podem ser percorridos a pé, a cavalo, de bicicleta, de moto, de charrete ou, se você preferir, de carro mesmo.
Durante todo o ano, as temperaturas são amenas durante o dia e caem à noite. No inverno, os dias são ensolarados, mas os termômetros podem chegar a 3 graus negativos na madrugada. É preciso ter por perto bons agasalhos, gorros, luvas e cachecóis, além de hidratante para pele e para os lábios. Com sorte, pode-se ver as áreas mais baixas cobertas de branco, de manhã cedo.
No verão, as chuvas costumam cair no fim da tarde, mas depois o céu fica limpo e as noites são lindas, com temperaturas muito agradáveis, dispensando o ar condicionado. As meias estações, por sua vez, são deliciosas e podem alternar momentos de muito frio à noite e muito calor, enquanto há sol.
A Região vem, há algum tempo, sediando uma série de eventos culturais, gastronômicos, esportivos e ecológicos, que começam a compor um calendário anual. Com atividades nas várias vilas - Visconde de Mauá é o ponto de partida para visitar o Vale do Alto Rio Preto -, esses acontecimentos proporcionam o encontro da gente que vive por aqui com os visitantes.
Há espaço para todos os gostos: esportistas, artistas, amantes da boa mesa, aventureiros em geral, e até para quem prefere apenas tomar um bom vinho, em boa companhia, em frente a uma lareira.
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